“A gente gostaria de cantar, mas há um nó na garganta. A gente sabe que se cantasse poderia espantar as penas em vez de viver grudado nelas, como um inseto na língua de um sapo. A gente não pode cantar, está a nosso alcance, mas não conseguimos. As mulheres rezam, os caras tomam porre, os leões rugem, as abelhas zumbem: todos gostariam de cantar, mas não sabem como. Cantar de dentro, sem voz, sem som… As mulheres rezam, os caras se batem, os leões devoram seus filhotes, as abelhas cravam seu ferrão e morrem: todos gostariam de cantar, cantar para saber que não são fantasmas num mundo de pedra”.
Efraim Medina Reyes, em Técnicas de masturbação entre Batman e Robin.
Escrito por
Maíra
às
12h10
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