Já dizia o mestre João Gilberto: "Não se pode machucar o silêncio, que é sagrado"
Sábado, quatro e meia da tarde, chego em casa louca por uma dormidinha diurna, daquelas que recompõem a gente pra balada de mais tarde... Doce inocência minha, sou obrigada a conviver agora com a mais nova e infeliz novidade da rua: o boteco da frente de casa acaba de adquirir um videokê. Estão cantando My Way, do Sinatra, ou melhor, estão destruindo os meus ouvidos. Eu não sou a única a achar ruim. Um vizinho, lá pela terceira música, começa a berrar desaforos bem colocados contra a falta de gosto e competência musical do sujeito que nos atormenta.
A minha pergunta é: existe alguma coisa que eu possa fazer legalmente contra essa pessoa que inventou essa moda? Se alguém souber o que, por favor me ilumine!!! Eu imploro!!! Porque começou na sexta passada e agora quase toda noite da semana - e no sábado durante o dia - sou obrigada a ouvir em alto e bom tom as interpretações desafinadas de Oswaldo Montenegro, Raul Seixas e uma série de gêneros musicais que só existem pra danificar nossos ouvidos. Eles fazem em horário comercial, mas a zona é residencial. Eles podem fazer isso? É realmente atordoante. Faz mal. Se existe um padrão de vida mínimo pelo qual eu prezo, definitivamente ele insiste nesse ponto: não morar na frente de uma casa com videokês. Nada contra quem curte essa merda, eu mesma já tive meus momentos, acho que todo mundo já fez essa balada... Mas tem dó... Na frente de casa?
A Nê vai ter uma bela duma surpresa quando voltar de viagem...
Escrito por
Maíra
às
18h47
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