Cromo virado

Tarde de outono na Av. Dr. Arnaldo
Comecei a andar com a minha câmera todo dia, pra cima e pra baixo. Como tenho medo de ser assaltada, não ando com a minha Canon, porque é meu instrumento de trabalho e ela não pode ir embora porque se não eu tô f... De repente me dei conta que eu tinha a minha primeira câmera ainda, meio de plástico, com uma 50mm fixa e nada mais, mas excelente pra me acompanhar por aí, porque não vale muita coisa, é mais leve que a outra e faz o que qq câmera manual das clássicas faz. Muito fotógrafo bom fez carreira com apenas uma lente fixa... As fixas são muito legais, elas obrigam o fotógrafo a se posicionar melhor para conseguir a foto. Melhor ainda se for grande angular, porque você se obriga a ficar mais próximo do objeto pra dar destaque a ele. Acho que foi o Bresson que disse (me corrija quem souber que eu tô falando m...) que se uma foto não saiu boa é porque o fotógrafo não se aproximou o suficiente do assunto.
Estou inaugurando uma série de fotos do meu cotidiano. Com a câmera (quase) sempre em punho, toda vez que algo me chama a atenção, descarrego o dedo no disparador. Vale pra paisagens, pessoas que eu conheço na rua, qq coisa que eu quiser, na verdade. A minha idéia é selecionar bem o que eu vou fotografar, porque também é muito caro bancar a brincadeira, não dá pra clicar aos montes que eu vou à falência... Com essa, um filme pode demorar mais de mês pra ser revelado. Nesse primeiro filme usei um cromo que estava em casa encostado há mais de ano, esperando pacientemente pra ser usado, tadinho. Mas cromo pode ser legal porque tem uma puta qualidade, tem cores maravilhosas e tal mas, cá entre nós, é um saco de manipular. Eu não tenho projetor e nem paciência pra cuidar de uma material tão delicado... Então resolvi virar o cromo, já que tudo é sem compromisso, não importa os efeitos que vão dar. Aliás, pelo contrário, eles são a melhor parte da história.
Aqui vai a primeira foto que eu lanço pra vcs... É a Av. Dr. Arnaldo, num desses fins de tarde de outono, em julho desse ano...
Escrito por
Maíra
às
17h43
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