Toquinho no Tuca

2003
Apesar de todo meu caso de amor com a música, ainda me sinto ignorante quando descubro que não conheço o trabalho de alguns músicos fodidos mais profundamente. Quando fotografei o Toquinho na reinauguração do Tuca, fiquei familiarizada com seu jeito de tocar, sem entender muito bem por quê. Dali a pouco ele comentou que tinha sido aluno do Paulinho Nogueira e eu logo percebi que era aquilo. Descobri (comecei a ouvir com atenção) o Paulinho depois que fui morar sozinha, quando seqüestrei a vitrola da casa dos meus pais, deixada de lado já há algum tempo, e ganhei deles seus discos.
Meu contato com a música, desde a infância, foi através dessa vitrola. Aprendi a gostar de Rita Lee, por exemplo, porque eles colocavam pra tocar toda hora. O mesmo com Caetano e Gil. Mas eu sabia que o gosto dos meus pais pela música era muito refinado e, se eu não conhecia tudo do que eles gostavam, é porque tinha deixado passar batido. Logo, sempre encarei aquela pilha de vinis como uma caixinha de surpresas, com algumas pérolas escondidas.
E eu tinha, naquele monte, um disco do Toquinho: Toquinho Tocando, aquele de capa verde, maravilhoso. Nunca o tinha escutado. Já fazia quase um ano que morava aqui. E de repente, estava eu, clicando um cara que de pronto passei a admirar muito. Santa ignorância a minha, achar que o cara era um simples parceiro do Vinícius...
Escrito por
Maíra
às
09h38
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