Portifólio
Hoje posso dizer que meu portifólio ficou finalmente pronto. Pronto do jeito como eu vinha imaginando apresentá-lo nos lugares onde estou procurando trampo. Com mais um tempo de estrada, ele vai perder validade, é claro, mas no momento é meu melhor material. Um amigo fotógrafo me ajudou a editar e me deu umas idéias muito boas.
O material em cor é quase todo com fotos que eu fiz durante o treinamento do jornal.
Cada "página" do meu portifólio está como cada quadro preto que estou mostrando em seguida.

madrugada com pichadores (2005) X rescaldo de favela na av.roberto marinho (2005)

frio em são paulo (2005) X ocupação do mtst em osasco (2003)

moradora da vila esperança, terreno da usp ocupado desde 1998 (2005) X joão donato (2005)

fashion week 2005 X fashion week 2005

eagle-eye cherry no credicard hall (2005) X elza soares na parada gay (2003)

alunos de escolas públicas (fotos para o caderno trainee da folha / 2005)

pichações na cardeal arcoverde, antes de projeto anti-pichação implantado na região pela subprefeitura de pinheiros

cacuriá, dança tipicamente maranhense. festa do divino, no espaço cachuêra (2005)

festa do divino, espaço cachuêra (2005)
E a parte em preto e branco só tem fotos do meu trabalho de conclusão de curso, que eu chamei de Retratos de Passagem. Aliás, essa foi a maior viagem na remontagem do meu portifólio. Resolvi, seguindo conselhos desse amigo, revisitar os contatos dessa época. Fotografei esse projeto há uns dois anos e agora fiz uma outra edição do material que produzi. Consegui aproveitar umas idéias que estavam pouco amadurecidas e criar outras leituras.



A idéia do projeto era fotografar pessoas da terceira idade e sua relação com seus objetos. Por isso, fiz todos os retratos dentro de suas casas e busquei transitar por ambientes diferentes, como albergues, asilos, abrigos para terceira idade, cadeia, casas comuns, casinhas térreas do Cingapura... até meu terapeuta na época, o Bigode, virou meu personagem...



Olhando hoje os contatos dos filmes que fiz tive até um pouco de aflição. Por que não coloquei o cara mais pra direita? Por que não resolvi essa luz melhor? Tive a nítida sensação de que eu estava agindo por pura intuição, mas quase sem noção do que estava fazendo... Mesmo assim, me diverti percebendo essa experiência como uma fase passada. Eu, timidamente tentando me expressar de alguma forma... Engraçado... Na verdade, continuo tentando, talvez apenas com um pouco menos de timidez e um pouco mais de confiança. Não acho que me encontrei ainda dentro da fotografia. Tenho muito o que lapidar do que eu sei, muito o que aprender do que eu não sei e muito o que descobrir de mim mesma.
Escrito por
Maíra
às
23h55
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