Geração_Cidadã
O consórcio acabou e com ele se foram mais de trinta jovens que conheci nesses 5 meses de trabalho. Acredito sim que manterei contato com um ou outro, mas sei que no geral dificilmente verei essas pessoas. Essa história de dar aula é mesmo muito doida. Entrei neste trampo sem ter ido atrás de uma história como essa. Estava buscando outra forma de atuar no mercado, até que me abriram essa porta. Entrei de cabeça e de peito abertos. E não só fiz tudo com muito cuidado e empenho como também me apaixonei pela experiência toda e por muitos dos meus “alunos”.
Achava graça quando alguns dos jovens me chamavam de professora. Nunca me imaginei nessa posição e de repente estava lá, passando para duas turmas de 15 alunos meus conhecimentos sobre jornalismo, fotografia, comunicação. E tenho certeza que aprendi tanto quanto eles. E fui tomada por sentimentos inesperados, de emoção por ver cada um se transformando ao longo do curso, de ouvir uma frase ou outra espontânea da parte deles. Hoje até considero trabalhar como professora. Lembro que quando era pequena, só essa idéia me dava pânico.
Lendo os relatórios finais dos jovens que passaram pela comunicação do consórcio e durante nossa última conversa sincera e aberta em grupo – com direito a lágrimas e risadas – percebi o quanto foi importante para todos nós essa experiência. Percebi o quanto é importante para o jovem um espaço para ele se colocar e se expressar e o quanto é importante despertar neles uma vontade de mudar o mundo e entender que esse mudar o mundo começa nas pequenas atitudes do dia-a-dia, nos gestos de cada um, na forma como escolhemos nos relacionar com as pessoas que estão a nossa volta. Foi durante os debates de início de cada aula que discutimos os mais diversos temas, sempre propostos por eles em forma de frases. Nesses debates, por vezes eu me assustava com as opiniões dos jovens, não conseguia deixar de lado meu lado educadora, mas compreendi que nem em tudo eu conseguiria atingi-los. Na verdade, é difícil mensurar o quanto atingimos um aluno.
Nesses meses de Cafofo – a sala de comunicação do consórcio foi apelidada de Cafofo pelos jovens – vivemos alguns conflitos e vi na atitude de alguns jovens um caráter e uma honestidade para resolver os problemas que nunca tinha presenciado antes. Vi gente apontando o problema do outro olhando de frente para a pessoa, olho no olho, sem intenção de destruir o outro, e sim com vontade de reconstruir um ambiente de amizade e trabalho melhor. Vi humores mais alterados tomarem conta do ambiente e jovem tendo atitude adulta de conter os colegas com suas palavras.
Percebi também que sou mesmo séria e severa nas cobranças com os jovens. Por mais que eu acredite que essa exigência – que no fundo é uma cobrança comigo – é demais para com eles e que eu tenho que ser mais leve, mais tranqüila, foram inúmeros os relatos de jovens me agradecendo por tê-los cobrado tanto, pois isso os ajudou a criar responsabilidade e compromisso com as obrigações da vida.
Com certeza me marcou muito ver os mais quietinhos e tímidos desabrochando... Com esses eu tinha uma preocupação especial, por me sentir tão identificada com eles.
E infinitamente agradeço a minha companheira de trabalho. Por sua paciência, seu espírito, seu empenho, seu amor pelo que faz, seu jeito fácil e gostoso de conviver, enfim, por tudo que aprendi com ela.
Foram meses muito bons mesmo.
Estou montando um blog – quero colocar mais fotos e depois vou anunciá-lo aos jovens – bem cafofiano. Só com histórias e fotos do Cafofo. Quem quiser conhecer: http://comunicafofo.blogspot.com
Escrito por
Maíra
às
14h07
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